terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Uma escola vazia é um lugar sem alma

A Escola vazia, a espera de alunos e de uma sala específica para que a disciplina de Artes seja ministrada, e de professores que estudem esse conteúdo, também.
É triste, por um lado, mas é uma boa causa para justificar a vida:
Encontrar um lugar para a arte nesse mundo de especialidades. Nem que seja em escolas vazias e salas de aula imaginárias.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nesse instante final da Disciplina, resta sempre a questão: Mas, afinal de contas o que foi mesmo que aprendi nesse semestre? Falo no âmbito do semestre porque a forma como tento organizar meu currículo aqui na UFRGS, leva em conta o diálogo entre as Disciplinas que elenco para cursar.
E posso dizer que tudo foi muito produtivo. No momento da minha queda, todas as Professoras que tive nesse semestre souberam me trazer de volta e, espero ter sido digno dessa oportunidade.
Eis aí meu primeiro aprendizado do semestre, a humanidade que eu estava questionando tanto, sob a ótica que devido a um sistema que depaupera todos os recursos à disposição em nome da sua sobrevivência a questão do descarte não saía da minha cabeça. Numa era em que o desempenho é muito mais valorizado que a fruição na alteridade meu estamento ético estava posto em cheque.
Mas, esse acolhimento mediado pela contrapartida da minha responsabilidade e envolvimento indicaram meu segundo aprendizado: A importância do EAD, como construção do conhecimento. Quando se está em estado de Pesquisa as coisas parecem vir até nós. Não creio, no entanto em acasos mas que a procura treina o encontrar. Foi então que, na fila da Ópera Dido e Enéas encenada no último final de semana no IA (fato que, devido a integração de TODOS os cursos do Instituto, mereceria uma reflexão mais profunda que, infelizmente não cabe aqui, mas que não pode deixar de ser citada). Evento que não vi, pois ao me deparar com a edição 150 de julho de 2012 nas páginas: 5 e no Especial, 8 e 9 do JORNAL DA UNIVERSIDADE com a experiência de uma tecnóloga, Izabel Rosani Ardo, do município de Três Passos, formada em EAD pelo PLAGEDER/UFRGS e do Curso de Licenciatura em Música a Distância (que envolveu gente de diversas partes do pais)! Fui correndo para casa. O Laboratório estava: Agindo na minha cabeça! Além de compreender que nos dias atuais, além da produção de Materiais Didáticos específicos para o ensino de Artes, produzidos com competência e paixão, a sala de aula em EAD, é o mundo!
O relato, nas matérias citadas, das dificuldades de professores e alunos, nos mostra que esse é de fato um campo fértil para agir na área da Educação. Uma forma propositiva de agir, além da comodidade de reclamar que a educação está em crise. O objetivo de elencar um problema é buscar uma solução, sob o risco de nos tornarmos tautológicos e portadores de atos e discursos esvaziados pela falta de resultados.
Não vamos mudar o mundo, mas o EAD (essa modalidade de ensino vista de início com reservas conforma destacam as matérias) contrasta com a prática brasileira que realiza essa modalidade regularmente desde a década de trinta! Coisas do Brasil.
Por último uma pequena e confortante história. A Nara (Jucinara Regina Ezequiel), no início da década de oitenta contando então com: oito anos? Começou a perambular, juntamente com os irmãos pela rua onde moro, sempre com a ressalva: Não peço, eu trabalho!
E foi assim que adentrou nossos lares e nos tornamos inclusive compadres (envolvidos pelo saudoso Darcizinho) pobre, preta e cheia de dificuldades sempre encontrou espaço para ouvir a minha cantilena: Nara, tu tem que estudar!
O tempo passou, ajudei-a a aprender a ler e, pensando bem dei muita aula para ela ao longo desse tempo e também aprendi muito em termo de disposição e aquela honra de trabalhar e não pedir apesar de todo o perrengue que as milhares de Naras que perambulam pelas ruas desse país, passam. Mas, eu: Sempre ali!
Pois hoje, quando registro esse pensamento repleto de aprendizagens, ela veio (embora um neófito, insisti muito para que ela fizesse um cursinho de informática) dela recebi o estímulo para escrever e contar essa história. Pois ela me vem com o certificado toda orgulhosa dizendo que eu havia sido importante no seu crescimento, pois hoje ela não faz mais faxina e além do curso de enfermagem agora está se especializando em limpeza de pele, aprendeu a ler e ainda se formou antes de mim na informática!
Aí entendi que apesar da minha disponibilidade para ensinar, a vontade dela em aprender foi determinante no processo da aprendizagem (o que espelhou a dificuldade que tive em desenvolver meu projeto virtual) e que: Esse é o espírito do EAD.
Além do que eu acredito nisso: O exercício da Pesquisa desloca aquele olho que olha, em direção a qualidade do olho que vê.